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7 de Março

retirada da net

Porque às vezes é importante recordar, mesmo que essa recordação nos encha de uma certa mágoa.

Por outro lado, também não é fácil esquecer, quando o percurso da nossa vida nos leva a voltar ao local onde tudo aconteceu...

E acredita que passar por aqui, tantas vezes, não tem sido fácil, nada fácil...

1 de Março, outra vez...

E às vezes, do que mais sinto falta é disto...


1 de Março

Não sou de sonhar... Nunca gostei muito...
Prefiro imaginar... de olhos bem abertos... o que não deixa de ser sonhar!

Dizem os entendidos que sonhar toda a gente sonha... apenas não se recorda quando acorda.
Deve ser esse o meu caso...

Não gosto de sonhar... mas existem coisas que não podemos controlar... e assim, inexplicavelmente, tenho sonhado muito nestes últimos dias...

Sonhado com coisas que preferia esquecer, que preferia manter bem no fundo do baú das recordações. Apagar de vez? Penso que não, pois como poderia saber que teria sido realidade?

Mas porquê estes sonhos? Porquê agora, quando tanto tempo já passou? Porquê contigo? E porque será que isto está a mexer tanto comigo...

14 de Fevereiro ou 1 de Março

Há coisas que começam e não têm fim!

Há coisas que começam e terminam muito ou pouco tempo depois!

Há coisas que nunca deveriam ter começado...

11 de Janeiro


Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhai-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

"Lágrima de Preta", António Gedeão

7 de Agosto



Porque recordar também é viver!

9 de Julho


Escultura de Jaime Azinheira (Museu Municipal amadeo de Souza-Cardoso)

O tempo passa, a realidade muda.
Há uns anos atrás imaginávamo-nos como estes, sentados num banco a recordar o passado.
Hoje, apenas sentimos o silêncio, de todos nós...
O tempo passa, a realidade muda...

21 de Maio

Estação de Livração - Caldas de Canaveses.


Reconheces?

Recordas?

Recordas as horas que aí passamos?

Quando desciamos a rua e nos sentávamos no banco, como quem espera pelo próximo comboio...

Aí nos lamentávamos, aí soltávamos sonoras gargalhadas e por vezes limpávamos as lágrimas uma da outra.

Desabafos, lamentos, confidências, segredos, histórias... Tudo isto o banco ouviu, em silêncio, e no silêncio desse local ficaram as nossas palavras guardadas.

O comboio não passava, mas o tempo sim. E assim partíamos, rua acima, desejosas da próxima semana, da próxima vez que desceríamos a rua.

14 de Maio


Alentejo (Serpa) - Agosto de 2006



Serpa - Agosto de 2006


SAUDADES...

29 de Abril

Voltei lá, ao local.

Foi já há muito tempo que o deixei. 5 anos? Talvez. Voltei, por casualidade.

Local de carícias trocadas, palavras sentidas, olhares cruzados, sentimentos expressos.
Foi lá também que me refugiei nos dias menos bons, à beira rio, numa paz que só aí conseguia
encontrar.
Foi lá que vivi momentos intensos, foi lá o nosso primeiro beijo.

Estranho, sim, foi estranho. Não senti nada, nenhuma emoção, nem saudade sequer. Será que a ferida fechou? Será que o posso dizer finalmente?
Talvez ainda não. Eu sei que as lágrimas secaram, mas na verdade, no momento em que escrevo estas linhas sinto o coração apertado. Afinal, ainda existe cá dentro qualquer coisa!

Às vezes penso se valeria a pena o tempo voltar atrás. Faria o mesmo ou não? Ninguém consegue responder a esta questão, ninguém sabe dizer o que teria sido melhor.

Existe contudo uma questão em aberto, e essa só tu a podes responder. Quem sabe um dia...

20 de Abril

Estou farta das pessoas.
A sério!
Farta de serem falsas, mesquinhas, de dizerem uma coisa à nossa frente e por trás nos maldizerem.
Estou farta de me olhem de cima a baixo e me façam um scanner se levo esta ou aquela roupa, se digo isto ou aquilo.
Estou farta desta falsidade, desta ilusão que nos obriga a sorrisos amarelos e a dizer, educadamente, aquilo que nos apetece berrar.
Toda a gente parece dar palpites, opinam sobre tudo e todos mas nunca olham para si mesmas, quando é delas que deve partir o exemplo.
Não têm espelhos?

4 de Abril de 2007

Ela tinha aquela ferida que teimava em cicatrizar. Por mais que tentasse, por maior que fosse o seu esforço, lá se abria de novo, lá sangrava novamente.
A vida também não ajudava. De todo o lado surgia uma ou outra situação, uma ou outra lembrança, uma ou outra conversa. E novamente a recordação emergia, a mesma recordação que lhe fazia chorar interiormente, pois as lágrimas exteriores há muito que estavam secas.
Talvez a culpa seja dela que não é capaz de dizer CHEGA!
Talvez a culpa seja dela que não tem a coragem de apagar de vez com esse sentimento.
Talvez a culpa seja dela por ainda acreditar que o tempo pode voltar atrás e auto-corrigir-se!
Talvez...
Talvez a culpa seja dos outros que não vêem a sua dor.
Talvez a culpa seja dos outros que teimam em mexer e remexer na recordação.
Talvez a culpa seja dos outros, mas os outros podem nem saber...
Talvez...
Força! Segue em frente! Não deixes que os desânimos da vida se abatam sobre ti!
Sorri, sorri à vida, porque a vida sorri para ti e nunca saberás quem poderá estar a ver o teu sorriso!

2 de Abril de 2007

A vontade de escrever vem de longe.
As desculpas para o fazer são de agora (ou talvez não).

Quantas vezes nos apetece gritar, deitar para fora o que cá dentro nos mói?
Ou então, simplesmente comentar uma imagem, um odor, um som… Dizer alto e bom som o que nos vai no pensamento, sem ter ninguém ao pé que nos olha de canto e se interroga se os fusíveis estarão em ordem.

Um Blog? E porque não?

Descobri que ter um blog à minha responsabilidade é das coisas que mais me satisfaz, que mais prazer me dá – vê-lo crescer, vê-lo embelezar-se, vê-lo apreciado por quem aqui passa, que sem me conhecer, me descobre em cada palavra, em cada olhar. Sem pressões, sem prazos, sem temas definidos. Simplesmente o meu olhar e os meus sentimentos que em linhas se entrelaçam.

No outro dia cruzei-me com este poema. Não era novo, mas a recordação da música fez-me procurá-lo, conhecê-lo melhor. E foi então que me descobri nestas notas, pois é no silêncio que escrevo estas palavras, e no meio de tanta gente que as apresento, porque estas palavras “São a história d'aquilo que sou”!

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar
Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou
Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar
Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão
Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer
Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou


Maria Guinot: Silêncio e tanta gente