14 de Julho




Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Jorge Palma, "Encosta-te a mim"

9 de Julho


Escultura de Jaime Azinheira (Museu Municipal amadeo de Souza-Cardoso)

O tempo passa, a realidade muda.
Há uns anos atrás imaginávamo-nos como estes, sentados num banco a recordar o passado.
Hoje, apenas sentimos o silêncio, de todos nós...
O tempo passa, a realidade muda...

30 de Junho

Vila Praia de Âncora - Abril 2007


E o sol se esconde, fim de mais um dia...
Para no outro dia renascer e tudo recomeçar!

9 de Junho

Serpa 2005


..."Que gigantes? - disse Sancho Pança.

- Aqueles que ali vês - respondeu o seu amo -, de longos braços, que alguns chegam a tê-los de quase duas léguas.

- Veja vossa mercê - respondeu Sancho - que aqueles que ali aparecem não são gigantes, e sim moinhos de vento, e o que neles parecem braços são as asas, que, empurradas pelo vento, fazem rodar a pedra do moinho.

- Logo se vê - respondeu D. Quixote - que não és versado em coisas de aventuras: são gigantes, sim; e se tens medo aparta-te daqui, e põe-te a rezar no espaço em que vou com eles me bater em fera e desigual batalha." ...

D. Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes

21 de Maio

Estação de Livração - Caldas de Canaveses.


Reconheces?

Recordas?

Recordas as horas que aí passamos?

Quando desciamos a rua e nos sentávamos no banco, como quem espera pelo próximo comboio...

Aí nos lamentávamos, aí soltávamos sonoras gargalhadas e por vezes limpávamos as lágrimas uma da outra.

Desabafos, lamentos, confidências, segredos, histórias... Tudo isto o banco ouviu, em silêncio, e no silêncio desse local ficaram as nossas palavras guardadas.

O comboio não passava, mas o tempo sim. E assim partíamos, rua acima, desejosas da próxima semana, da próxima vez que desceríamos a rua.

14 de Maio


Alentejo (Serpa) - Agosto de 2006



Serpa - Agosto de 2006


SAUDADES...

13 de Maio

Às vezes apetece partir.

Partir sem destino.

Apanhar o primeiro comboio e seguir sem destino traçado.

Partir à descoberta, sair onde o impulso nos levar.

Sim, às vezes apetece partir.

Deixar tudo para trás, libertar-nos das amarras que nos prendem a um quotidiano de rotinas.

O que encontraremos no final do caminho?