30 de Junho

Vila Praia de Âncora - Abril 2007


E o sol se esconde, fim de mais um dia...
Para no outro dia renascer e tudo recomeçar!

9 de Junho

Serpa 2005


..."Que gigantes? - disse Sancho Pança.

- Aqueles que ali vês - respondeu o seu amo -, de longos braços, que alguns chegam a tê-los de quase duas léguas.

- Veja vossa mercê - respondeu Sancho - que aqueles que ali aparecem não são gigantes, e sim moinhos de vento, e o que neles parecem braços são as asas, que, empurradas pelo vento, fazem rodar a pedra do moinho.

- Logo se vê - respondeu D. Quixote - que não és versado em coisas de aventuras: são gigantes, sim; e se tens medo aparta-te daqui, e põe-te a rezar no espaço em que vou com eles me bater em fera e desigual batalha." ...

D. Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes

21 de Maio

Estação de Livração - Caldas de Canaveses.


Reconheces?

Recordas?

Recordas as horas que aí passamos?

Quando desciamos a rua e nos sentávamos no banco, como quem espera pelo próximo comboio...

Aí nos lamentávamos, aí soltávamos sonoras gargalhadas e por vezes limpávamos as lágrimas uma da outra.

Desabafos, lamentos, confidências, segredos, histórias... Tudo isto o banco ouviu, em silêncio, e no silêncio desse local ficaram as nossas palavras guardadas.

O comboio não passava, mas o tempo sim. E assim partíamos, rua acima, desejosas da próxima semana, da próxima vez que desceríamos a rua.

14 de Maio


Alentejo (Serpa) - Agosto de 2006



Serpa - Agosto de 2006


SAUDADES...

13 de Maio

Às vezes apetece partir.

Partir sem destino.

Apanhar o primeiro comboio e seguir sem destino traçado.

Partir à descoberta, sair onde o impulso nos levar.

Sim, às vezes apetece partir.

Deixar tudo para trás, libertar-nos das amarras que nos prendem a um quotidiano de rotinas.

O que encontraremos no final do caminho?

29 de Abril

Voltei lá, ao local.

Foi já há muito tempo que o deixei. 5 anos? Talvez. Voltei, por casualidade.

Local de carícias trocadas, palavras sentidas, olhares cruzados, sentimentos expressos.
Foi lá também que me refugiei nos dias menos bons, à beira rio, numa paz que só aí conseguia
encontrar.
Foi lá que vivi momentos intensos, foi lá o nosso primeiro beijo.

Estranho, sim, foi estranho. Não senti nada, nenhuma emoção, nem saudade sequer. Será que a ferida fechou? Será que o posso dizer finalmente?
Talvez ainda não. Eu sei que as lágrimas secaram, mas na verdade, no momento em que escrevo estas linhas sinto o coração apertado. Afinal, ainda existe cá dentro qualquer coisa!

Às vezes penso se valeria a pena o tempo voltar atrás. Faria o mesmo ou não? Ninguém consegue responder a esta questão, ninguém sabe dizer o que teria sido melhor.

Existe contudo uma questão em aberto, e essa só tu a podes responder. Quem sabe um dia...

25 de Abril


Hoje é dia 25 de Abril, é feriado. Dizem que é Dia da Liberdade!


Que significará este dia para a maior parte dos portugueses? Que significará este dia para os jovens do nosso país?


Não terá o mesmo significado, não terá de certeza. A mim diz-me pouco, muito pouco na verdade. Confesso a minha ignorância, não total é certo. A família contou alguma coisa, a televisão mostrou alguns documentários. Até vi o filme que se fez sobre o dia da Revolução.


Mas é diferente, quando não se viveu esse tempo, quando não se contactou directamente com a situação em si. Festejamos este dia pela sua importância, mas para mim, o que mais me marca é o facto de ter ocorrido uma revolução sem qualquer violência, sem o derrame de sangue como acontece em qualquer outro país por esse mundo fora.


Tenho consciência que se viveram tempos dificeis no nosso país, tempos de opressão. Talvez agora haja liberdades em exagero, talvez... Mas fica aqui o louvor aos homens que tentaram dar a este país um rumo diferente, um novo ar. Fica aqui o louvor de alguém pós-25 de Abril.


Obrigada pelo vosso feito!